Resumo-gráficoPrelecionista: Andressa Rodrigues Fonseca
Data: 20/09/2022, às 16h, via Zoom*
Orientador: Dalila Sêni Buonicontro

Resumo: Neste trabalho, foi feita a identificação de um nematoide frequentemente associado a manchas cloróticas internervais em folhas de corda-de-viola (Ipomoea cairica). A identificação foi feita por meio da Taxonomia Integrativa e buscou-se esclarecer aspectos do ciclo biológico desse nematoide, que foi nomeado provisoriamente como nematoide foliar de Ipomoea (NFI). Foi feita a caracterização morfológica, morfométrica e molecular (amplificação e sequenciamento dos genes nucleares SSU, LSU e ITS e o gene mitocondrial COI) do nematoide. A posição filogenética de NFI foi determinada pelo método de Inferência Bayesiana, usando o concatenamento dos genes SSU, LSU e ITS. Também foi realizada a análise de delimitação de espécies pelo modelo GMYC e método de Yule. Aspectos do ciclo de vida de NFI foram esclarecidos pela determinação da duração da embriogênese e seu modo de parasitismo, pela análise histopatológica de folha de I. cairica. Testes de patogenicidade a plantas cultivadas foram feitos a fim de verificar se esse nematoide é capaz de infectar alguma cultura. Ainda, realizou-se a determinação indireta da gama de hospedeiros. NFI possui características como três formas básicas: fêmea semi-obesa, fêmea jovem delgada e macho, com diâmetros máximo de corpo de 31,4±6,4, 15,7±2 e 19,8±2 µm, respectivamente. As fêmeas semi-obesas possuem ovário reflexado e útero em quadricolumella. As fêmeas jovens delgadas apresentam ramo genital estendido e não diferenciado. Os machos têm espículas de 19,8 ± 2 µm, bursa leptodera e presença de gubernáculo. Campo lateral com 4 linhas. Região labial destacada para formas adultas e não destacada para formas jovens. Tais características suportam a alocação de NFI na família Anguinidae, mas não nos gêneros até então descritos nesta família. Pela análise filogenética e de delimitação de espécies, foi possível observar que todas as formas do NFI são pertencentes à mesma espécie, e, além disso, possuem valor de suporte alto o suficiente (pp=1) para estarem agrupados separadamente dos demais gêneros da família Anguinidae. A embriogênese desse anguinídeo, desde o ovo até o juvenil de primeiro estádio, tem duração média de cinco dias. NFI induziu alterações celulares no mesófilo como modificações no formato das células, citoplasma granuloso e núcleo aumentado nos parênquimas paliçádico e lacunoso, indicando indiretamente um aumento da atividade celular que pode estar acontecendo para suportar a nutrição desse nematoide. Foi possível observar que NFI se aglomerou em galerias formadas no parênquima lacunoso, sendo estas delimitadas pelas nervuras. Não foi possível reproduzir sintomas nas plantas inoculadas artificialmente sob condição de casa de vegetação. Contudo, pela determinação indireta da gama de hospedeiros, verificou-se que além de I. cairica, I. syringifolia também é hospedeira desse nematoide. Portanto, diante dos resultados dessa pesquisa, a criação de um gênero novo dentro de Anguinidae será proposta para abrigar NFI, que apresenta um hábito parasítico endoparasita migrador.

*Interessados em receber o link, favor enviar email com sua identificação para pos.fitopatologia@ufv.br