IMG-20170820-WA0017Nem só de desafios vencidos e artigos publicados se fazem as memórias do professor Baltazar Chipiringo, da Universidade Zambeze, de Moçambique, a respeito de sua passagem pelo Programa de Pós-Graduação em Fitopatologia. Orientado pelo professor Murilo Zerbini entre os anos de 2017 e 2021, quando defendeu sua tese de doutorado, Baltazar diz que fez amigos, mudou suas perspectivas como pesquisador e professor e levou para seus alunos, no país africano, uma outra forma de ver a ciência.

“É muito gratificante poder passar essa experiência que vivi aos meus alunos. Meu desejo é que tenham competitividade internacional, e já vejo que eles são, hoje, diferentes do que eu era quando saí daqui. Eles têm muito mais visão das coisas, e isso me deixa muito feliz”, conta ele. Antes do doutorado, Baltazar – que é técnico de farmácia, graduado em Engenharia Agropecuária e mestre em Produção Vegetal – lecionava disciplinas ligadas à Zoologia de invertebrados e Ecologia. Desde o retorno ao seu país de origem, porém, novas frentes de trabalho foram abertas. “Eu tinha uma paixão por fitopatologia que vinha de muitos anos, e na UFV consegui investir nela.” Agora, Baltazar leciona “Sanidade vegetal , Microbiologia e Zoologia de Invertebrados” e “Parasitologia”, a alunos dos cursos de Engenharia Agropecuária.

A oportunidade de se mudar para o Brasil aconteceu por meio de uma bolsa de estudos oferecida pelo Banco Mundial. “Eu conquistei a bolsa e precisava do aceite de uma universidade. Desde o início fui muito bem recebido em Viçosa, e vejo hoje que aquele era mesmo o meu lugar”. Com o professor Zerbini, Baltazar trabalhou na detecção, identificação e caracterização molecular de begomovírus associados a leguminosas e plantas não-cultivadas em Moçambique. “O professor Zerbini me disse de cara que seria interessante eu trabalhar com algo que fosse importante para o meu país, que me permitisse levar conhecimento de volta a Moçambique e, eventualmente, seguir estudando depois. Chegamos a esse projeto, que me trouxe uma experiência ímpar. Dois novos vírus foram identificados, e um deles inclusive já foi apresentado em um artigo.”

Para realizar o trabalho, o pesquisador viajou a Moçambique, no período do doutorado, para coletar amostras e, com elas, retornar ao Brasil. “Fizemos o sequenciamento em Viçosa, e foi um período de enorme aprendizado para mim.” Além da oportunidade de conhecer técnicas e equipamentos diferentes dos habituais, ele destaca o conhecimento adquirido com o convívio com os colegas pesquisadores e demais professores. “Todos foram muito atenciosos e generosos. Isso só aumentou minha determinação por me dedicar, muitas vezes até de madrugada, para tirar o máximo de conhecimento desta oportunidade.”

Projetos futuros
De volta à Universidade Zambeze desde o ano passado, Baltazar já planeja a próxima vinda ao Brasil. “É algo que eu quero muito. Tenho estado atento a projetos e bolsas para viabilizar uma nova troca, quem sabe um trabalho conjunto entre as universidades, ou um pós-doc. Seria um imenso prazer.”