foto_kaique-alvesDemorou mais do que o esperado, mas desde novembro de 2021, o doutorando Kaique Alves, do Programa de Pós-Graduação em Fitopatologia, faz parte da equipe de pesquisadores da professora Sarah Pethybridge, na Cornell University, no estado americano de Nova York. Embora a ideia de passar parte do doutorado estudando no exterior tenha estado sempre presente nos planos de Kaique, ele precisou aguardar por cerca de um ano, mesmo depois de ter sido aceito na Cornell, até que fosse possível fazer a viagem, em meio à pandemia do coronavírus. A espera foi mais do que compensada: Kaique acaba de ter confirmada a extensão do período de bolsa no exterior, o que vai transformar a experiência inicialmente prevista para durar nove meses em uma jornada de um ano e meio.

“É uma experiência fantástica, inclusive em termos culturais, pessoais. Você começa a ver as coisas de forma diferente, isso expande sua visão de mundo e, acredito, impacta de forma positiva no trabalho”, conta ele, que já está adaptado à rotina de trabalho americana. No laboratório da Cornell University, Kaique realiza pesquisa voltada para os efeitos de variáveis meteorológicas e de solo em epidemias de mofo branco em feijoeiro. “No Brasil, em Viçosa, eu comecei trabalhando com a ferrugem da soja, mais especificamente, com o efeito do El Niño nas epidemias de ferrugem da soja. No fundo são coisas similares, mas na vinda para cá comecei a trabalhar com essa outra linha de pesquisa – além, claro, de projetos paralelos dos quais participo”, explica Kaique que, desde o mestrado, é orientado no Brasil pelo professor Emerson Del Ponte

A escolha pela Cornell University está ligada à linha de pesquisa de Sarah, com quem o professor Emerson tem parceria de trabalho de longa data. “As conversas com ela começaram em 2020, mas houve pandemia e precisei esperar. Aproveitei esse tempo para cuidar das questões burocráticas, que já são um desafio grande para quem quer sair do Brasil”, conta Kaique, que tem bolsa de estudos custeada pela universidade americana. Nos EUA, ele foi bem recebido não só pela professora, mas também pelos colegas pesquisadores, de diversas partes do mundo. “Aqui tem uma mistura enorme de nacionalidades. No laboratório, atualmente, entre os estudantes, apenas um é americano. Tem uma estudante da Colômbia, outra do Nepal, eu do Brasil. Isso é muito bom para aprender sobre novas culturas.”

Potencial brasileiro
Para Kaique, a diferença mais marcante entre sua experiência no Brasil e nos Estados Unidos, no entanto, diz respeito às verbas para financiamento de pesquisa. “Sinto que é como se nós, brasileiros, estivéssemos correndo com pesos amarrados nas pernas. Aí, quando chegamos aqui, tiramos os pesos, porque há muito recurso, muito dinheiro, é possível fazer muita coisa em termos de pesquisa. Aí a gente percebe o potencial que temos”, avalia ele, citando a alta qualidade de ensino das universidades brasileiras e, especificamente, do PPG em Fitopatologia. “Viçosa nos prepara muito bem para essa experiência aqui. É muito marcante: chegamos no exterior e, quando começam a discutir assuntos dentro da fitopatologia, conseguimos acompanhar tranquilamente e, em alguns casos, temos inclusive mais conhecimento. A grande questão está na diferença cultural, que abre mais espaço e dá mais valor à pesquisa.”